Sintomas físicos em análise: o que o corpo fala quando a boca se cala?
- Sabrina Noronha Pinho

- 3 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 4 de fev.

Muitas vezes, o corpo é o primeiro a "pedir análise". Antes mesmo de conseguirmos formular uma frase sobre o que nos aflige, o mal-estar se manifesta em formas que não parecem ter explicação, como um aperto constante no peito que simula uma angústia sem nome, uma insônia que nos mantém em alerta como se houvesse um perigo iminente ou sintomas físicos que os exames médicos insistem em dizer que "não possuem causa nenhuma".
Freud dizia que quando a boca se cala, falam os dedos, entendemos que o corpo pode ser o último recurso para denunciar uma questão que ainda não encontrou palavras para ser dita.
O sintoma, nesse sentido, não é um erro da natureza ou um defeito a ser silenciado rapidamente com remédios. Ele é, na verdade, um mensageiro. Ele é a forma que o inconsciente encontrou de dar um lugar — ainda que doloroso — para algo que transbordou.
Quando não conseguimos falar sobre nossas perdas, nossos medos, nossos lutos ou os desejos que sufocamos para agradar os outros, o corpo "grita" o que a boca calou. O trabalho da análise individual é oferecer um solo ético e seguro para que esse grito se transforme em narrativa. Não se trata de uma interpretação mágica de "dor no pé significa tal coisa", mas de permitir que, através da sua fala livre, você comece a tecer uma história pessoal sobre esse mal-estar.
Ao colocarmos palavras onde antes havia apenas dor física, produzimos um novo saber. O sintoma, ao ser escutado e acolhido em sua singularidade, muitas vezes perde a necessidade de se manifestar de forma tão bruta. Colocar o sofrimento em fala é o que permite dar um contorno ao vazio e fazer com que o corpo deixe de ser um campo de batalha para se tornar, novamente, o lugar onde você habita com mais liberdade.
análise pessoal e adolescência
