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Por que o "tempo da análise" é diferente do tempo do relógio?

  • Foto do escritor: Sabrina Noronha Pinho
    Sabrina Noronha Pinho
  • 3 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 4 de fev.

Por que o tempo da análise é diferente do que o mundo espera?


Vivemos em uma época marcada pela tirania da urgência. Somos constantemente cobrados por resultados imediatos, métricas de produtividade e resoluções rápidas para dores que, muitas vezes, levamos uma vida inteira para construir. O mundo contemporâneo nos vende a ilusão de que tudo — inclusive o sofrimento psíquico — pode ser resolvido com a mesma velocidade de um clique. Por isso, quando alguém decide buscar análise, é perfeitamente natural que traga consigo essa ansiedade: "Quanto tempo vai demorar para eu parar de sofrer?" ou "Em quantas sessões vou resolver esse padrão que me persegue?".


No entanto, um dos pilares mais éticos da psicanálise é o respeito ao percurso de cada sujeito. Enquanto o mundo lá fora exige eficácia, pragmatismo e "passos para a felicidade" em tempo recorde, a análise caminha na velocidade da sua verdade. O inconsciente não segue os calendários sociais ou os prazos de entrega que nos são impostos no dia a dia.


mulher vendo pássaros com o corpo imerso em água.

A descoberta contra a pressa do sintoma


Não existe um cronograma fixo porque o sofrimento humano não é uma linha reta. Na clínica, aprendemos que o sintoma tem uma função; ele está ali guardando algo que ainda não pôde ser articulado. Tentar arrancar esse sintoma à força, sem entender o que o sustenta, é uma forma de violência que o processo analítico busca evitar, até porque ele pode retornar em outro lugar.


Existem sessões em que a fala flui com facilidade e o alívio parece imediato. Mas existem outras em que as palavras faltam, em que o silêncio se faz presente ou a conversa parece girar em círculos. O que muitas vezes pode ser sentido como uma 'falta de progresso' é, na verdade, o trabalho da análise acontecendo justamente ali, onde a explicação pronta termina. Forçar uma resposta ou uma melhora rápida quando algo ainda não pôde ser elaborado é apenas uma forma de abafar o que é singular em você. A análise precisa desse tempo para que, em vez de uma solução passageira, você possa construir algo novo que se sustenta.


A análise como um ato de cuidado 


Permitir-se o tempo de não saber, o tempo de investigar e o tempo de se escutar é, por si só, um ato de profundo cuidado pessoal. Em uma sociedade que nos quer sempre "prontos" e "funcionais", a análise oferece um espaço onde você pode se libertar da pressão de "ter que ficar bem logo" para satisfazer as expectativas alheias.


O objetivo é que você possa habitar a sua vida com mais presença, contornando a angústia sem o desespero da urgência que nos é imposto. A análise não é uma corrida de cem metros, mas um percurso de investigação e construção. É nesse espaço singular que as mudanças mais duradouras encontram solo para florescer — no tempo que for necessário para que você possa, enfim, se escutar de verdade.





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